2.1.07

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

....................................................Carlos Drummond de Andrade

23.12.06


BOAS FESTAS

28.11.06

Uma Prosa Por Dia: XXVIII

(...)
.... Neste mundo abalado cada dia mais profundamente pelas convulsões do fim próximo, entre novos terrores, esperanças e intervalos de escravidão exacerbada, aconteceu-me encontrar Lorenzo.
.... A história da minha relação com Lorenzo é ao mesmo tempo comprida e breve, linear e enigmática; é uma história de um tempo e de uma condição já apagados de qualquer realidade presente, e por isso, não creio que possa ser compreendida hoje de uma forma diferente da dos acontecimentos das lendas e da história mais remota.
.... Em termos concretos, reduz-se a pouca coisa: um operário civil italiano trouxe-me um bocado de pão e os restos do seu rancho, todos os dias, durante seis meses; ofereceu-me uma camisola sua cheia de remendos; escreveu por mim um postal para a Itália e fez-me chegar a resposta. Por tudo isto, não pediu nem aceitou alguma compensação, porque era bom e simples, não achava que o bem devesse fazer-se para obter compensações.

Primo Levi, Se Isto é um Homem

27.11.06

Uma Prosa Por Dia: XXVII

Luchino Visconti, Morte à Venezia, 1971.


(...) Um deles, que usava um fato de verão amarelo-claro excessivamente na moda, gravata vermelha e panamá com abas ousadamente dobradas para cima, sobressaía em jovialidade entre todos os outros e era o que mais alto gritava. Porém, mal Aschenbach o observou um pouco melhor, reparou com uma espécie de horror que se tratava de um falso jovem. Era velho, não havia dúvida. Rugas rodeavam os seus olhos e boca. O carmim baço das suas faces era maquilhagem, o cabelo castanho debaixo do chapéu de palha de fita colorida, uma peruca, o seu pescoço decaído e enrugado, o bigode postiço e a mosca pintada, a dentadura amarela e completa, que mostrava rindo, era uma prótese barata e as suas mãos, com um anel de brasão em cada indicador, eram as de um velho. Impressionado, Aschenbach contemplou-o na sua relação com os amigos. Será que eles não sabiam, não notavam, que ele era velho, que injustamente usava a roupa colorida à janota como eles, que injustamente queria passar por um deles? Parecia que naturalmente e por hábito o toleravam como seu centro das atenções; tratavam-no de igual para igual, e retribuíam sem problemas os seus empurrões provocadores. Como era possível?(...)

Thomas Mann, A Morte em Veneza

26.11.06

Uma Prosa Por Dia: XXVI

(...) Frenhofer é um apaixonado pela nossa arte, que vê mais alto e mais longe que os outros pintores. Meditou profundamente sobre as cores, sobre a verdade absoluta da linha; mas, à força de pesquisas, chegou a duvidar do próprio objecto delas. Nos seus momentos de desespero, pretende que o desenho não existe, e que com traços não se pode senão reproduzir figuras geométricas; o que é demasiado absoluto, pois com o traço e o negro, que não é uma cor, pode fazer-se uma figura; o que prova que a nossa arte é, como a natureza, composta de uma infinidade de elementos: o desenho dá um esqueleto, a cor é a vida, mas a vida sem o esqueleto é uma coisa mais incompleta que o esqueleto sem a vida. Enfim, há qualquer coisa de mais verdadeiro que tudo isto, é que a prática e a observação são tudo para um pintor, e que se o raciocínio e a poesia contendem os pincéis, chega-se à dúvida, como este bom homem, que é tão louco como pintor. Pintor sublime, teve a infelicidade de nascer rico, o que lhe permitiu divagar. Não o imiteis! Trabalhai! Os pintores não devem meditar senão com os pincéis na mão.

Honoré de Balzac, A obra-prima desconhecida
Mário Cesariny

25.11.06

Uma Prosa Por Dia: XXV

XIX
Sem falta
.... Quando voltei a casa era noite. Vim depressa, não tanto, porém, que não pensasse nos termos em que falaria ao agregado. Formulei um pedido de cabeça, escolhendo as palavras que diria e o to delas, entre seco e benévolo. Na chácara, antes de entrar em casa, repeti-as comigo, depois em voz alta, para ver se eram adequadas e se obedeciam às recomendações de Capitu: «Preciso falar-lhe sem falta, amanhã; escolha o lugar e diga-me.» Proferi-as lentamente, e mais lentamente ainda as palavras sem falta, como para sublinhá-las. Repeti-as ainda, e então achei-as secas demais, quase ríspidas, e, francamente, impróprias de um criançola para um homem maduro. Cuidei de escolher outras, e parei.
.... Afinal disse comigo que as palavras podiam servir, tudo era dizê-las em tom que não ofendesse. E a prova é que, repetindo-as novamente, saíram-me quase súplices. Bastava não carregar tanto, nem adoçar muito, um meio-termo. «E Capitu tem razão, pensei, a casa é minha, ele é um simples agregado... Jeitoso é, pode muito bem trabalhar por mim, e desfazer o plano de mamãe.»
Machado de Assis, Dom Casmurro

24.11.06

Uma Prosa Por Dia: XXIV

(...)
.....Então, um homem alto, de rosto tisnado e aspecto grave, um daqueles homens que se percebe terem atravessado vastos territórios desconhecidos no meio de perigos incessantes, e cujo olhar tranquilo parece conservar, na sua profundeza, algo das paisagens estranhas que viu - um daqueles homens que adivinhamos forjados na coragem, falou pela primeira vez:
.....- Está a dizer, comandante, que teve medo; não acredito nada nisso. Engana-se em relação à palavra e à sensação que experimentou. Um homem enérgico nunca tem medo diante do perigo premente. Fica impressionado, agitado, ansioso; mas o medo é outra coisa.
.....O comandante replicou, rindo:
.....- Caramba! Estou a dizer-lhe que tive mesmo medo.
.....Então, o homem de tez bronzeada disse pausadamente:
.....- Permita que me explique! O medo (e os homens mais intrépidos podem sentir medo) é algo assustador, uma sensação atroz, uma espécie de dilaceração da alma, um espasmo horroroso do raciocínio e do coração, cuja simples lembrança provoca calafrios angustiantes. Mas isso não acontece, quando se é corajoso, nem diante de um ataque, nem diante da morte inevitável, nem diante de qualquer das formas conhecidas de perigo; acontece em certas circunstâncias anormais, sob certas influências misteriosas e perante riscos vagos. O verdadeiro medo é como uma reminiscência dos terrores fantásticos de outrora. Um homem que acredita em almas penadas e que imagina estar a ver um espectro à noite deve sentir o medo em todo o seu insuportável horror.
(...)
Guy de Maupassant , «O Medo»

23.11.06

Uma Prosa Por Dia: XXIII

... Estava a premir a tecla F11, quando um homenzinho magro, de fato escuro completo e chapéu fora de moda emergiu atrás do teclado e começou a fazer esforços para se içar para o tampo superior, onde se agigantam monitor e impressora. Levantava os braços, numa gesticulação que me pareceu desesperada e dava grandes saltos, em cima da consola. calçava sapatos ferrados que tiravam do plástico x sons fortes lembrando bicadas repetidas de catatua.
(...)
... Em circunstâncias difíceis como esta, não há nada como recorrer a um perito. Telefonei a um amigo, que é escritor. Atendeu mal-disposto, porque foi acordado. É um escritor dos diurnos, nove às cinco.
... «Ouve, meu caro, desculpa lá, mas estão a aparecer-me personagens em volta do meu computador. O que é que eu faço?».
... O meu amigo formulou muitas perguntas sábias. É um grande especialista de personagens. Se eram pesadas ou leves, grandes ou pequenas, silenciosas ou barulhentas, sentimentais ou secas. «Têm máscara?», inquiriu. «Não? Então são de grau inferior...» Quando eu o informei de que eram pequenas e silenciosas, ele sugeriu-me com um tonzinho superior de quem enuncia uma evidência: «Agarra nas três e atira-as pela janela.» «E se atinjo alguém? Estás a ver-me em tribunal por defenestrar personagens, com dano para os utentes da via pública?» «Então, conduta do lixo com elas.» «Não posso fazer uma coisa dessas, sempre são gente.»
... Do lado de lá do telefone o meu amigo fez-me um «ts» de rabugice. Desconfio de que trata as personagens dele com uma certa dureza. É o que dá a experiência.
... «Escuta, não andas agora a escrever umas crónicas, uns comentários, ou lá o que é?» Como é que ele sabia? Isto é uma cidade muito bem informada. Admiti.
... «Então, faz o seguinte: aprisiona-as no texto.»


Mário de Carvalho, «Três personagens transviadas», Contos Vagabundos

22.11.06

Uma Prosa Por Dia: XXII

(...)
.....Vacilou e, com essa voz calma, impessoal, à qual costumamos recorrer para confiar algo muito íntimo, disse que para terminar o poema a casa lhe era indispensável, pois num ângulo da cave havia um Aleph. Esclareceu que um Aleph é um dos pontos do espaço que contêm todos os pontos.
.....- Está na cave debaixo da sala de jantar - explicou, com a voz ali­geirada pela angústia. - É meu, é meu; descobri-o na infância, antes da idade escolar. A escada da cave é inclinada, os meus tios tinham-me proibido de descer, mas alguém me disse que havia um mundo na cave.
.....Referia-se, soube-o depois, a um baú, mas eu pensei que havia um mun­do. Desci secretamente, tropecei na escada proibida, caí. Ao abrir os olhos, vi o Aleph.
.....- O Aleph? - perguntei.
.....- Sim, o lugar onde estão, sem se confundirem, todos os lugares do mundo, vistos de todos os ângulos. A ninguém revelei a minha desco­berta, mas voltei. O menino não podia compreender que lhe fosse con­cedido esse privilégio para que o homem burilasse o poema! Zunino e Zungri não me despojarão, não, mil vezes não. De código em punho, o doutor Zunni provará que é inalienável o meu Aleph.
.....Procurei raciocinar.
.....- Mas não é muito escura a cave?
.....- A verdade não penetra num entendimento rebelde. Se todos os lu­gares da Terra estão no Aleph, ali estarão todas as luminárias, todas as lâmpadas, todas as fontes de luz.
.....- Irei vê-lo imediatamente.
.....Desliguei, antes que ele pudesse proibir-me. Basta o conhecimento de um facto para se perceber no acto uma série de traços confirmativos, antes insuspeitados; espantou-me não ter compreendido até esse mo­mento que Carlos Argentino era um louco.

(...)
Jorge Luis Borges, O Aleph

21.11.06

Uma Prosa Por Dia: XXI

A filha do piloto japonês
(para Matsuo B.)


.... O piloto japonês preparava-se para o seu voo derradeiro; ao contrário do que muitos haviam feito, despediu-se da família com estreitos abraços e lágrimas japonesas e visíveis. Crê-se que chegou a dizer:
....
Bem, é certo que não voltarão a ver-me!
.... A filha mais nova, a que menos chorava, respondeu:
....
Em sonhos hei-de sempre voltar a ver-te, pai.
.... O piloto japonês sorriu.

Ondjaki, E se Amanhã o Medo

20.11.06

Uma Prosa Por Dia: XX

Carta a Josefa, minha avó...
.......
.......Tens 90 anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas, deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste o sol nascer todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. (?) Contaste-me histórias de aparições e de lobisomens, velhas questões de família, uma crise de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira, sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas e um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. (...)...
.......Estou diante de ti e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste ao mundo e não curaste de saber onde é o mundo. Chegas ao fim da vida e o mundo é para ti o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança. (...)
.......Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas e dizes, com a tranquila serenidade dor teus 90 anos e a tua adolescência nunca perdida: ?O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.
......
José Saramago, Deste Mundo e do Outro

19.11.06

Uma Prosa Por Dia: XIX

.... Ivan Iákovlevitch vestiu, por respeito das conveniências, a casaca por cima da camisa e, sentado-se à mesa, serviu-se de sal, preparou duas cebolas, pegou na faca e, com uma expressão eloquente na cara, pôs-se a cortar o pão. Ao abri-lo ao meio, olhou para o miolo e, surpresa sua, viu algo esbranquiçado. Escavou cuidadosamente com a faca e apalpou com um dedo. "É duro,- disse para si. - Que poderá ser?". Enfiou os dedos e tirou - um nariz!...Caiu das nuvens; esfregou os olhos e começou a apalpar: nariz, nariz de certeza! Ainda por cima de alguém conhecido, parecia-lhe. Desenhou-se o terror no rosto de Ivan Iákovlevitch.

Nikolai GoGol, O Nariz

18.11.06

Uma Prosa Por Dia: XVIII

CAFÉ
(...)
.... Serves. Ela prova. Olha para ti tristemente. Não diz nada. Bebes a tua chávenae olhas para ela. Agora és tu que dizes:
- Pois é. Sabe a fracasso.
.... Ela diz, benevolente, que pode ser coisa do açúcar ou do leite. Tu gritas que não puseste nem leite nem açúcar na tua chávena.
.... Acende outro cigarro e empurra a sua chávena até ao centro da mesa, enquanto tu tiras todos os pacotes de café que guardas na despensa e com a ponta de uma faca os vais abrindo, vais apalpando frenético a sua fina textura com os dedos, provas, cospes, amaldiçoas, verificas que todo o café da casa tem o mesmo inevitável sabor a fracasso. Ela não provou nenhum e também o sabe.
.... Diz-to sem palavras. Diz-to com o olhar perdido nos desenhos poliédricos da toalha. Diz-to com o fumo que se lhe escapa dos lábios.
(...)

Luis Sepúlveda, Encontro de Amor num País em Guerra

17.11.06

Uma Prosa Por Dia:XVII

(...)

.... - Todo o mundo não é mais que uma galeria de espelhos que reflectem distâncias...
.... - É isso. Você compreendeu também. Todo o mundo é pouco para um homem; é apenas o espaço para sonhar. Um homem estende-se sobre a terra, e tem aquela sensação duma criança já grande demais, dentro dum armário. Mas isso basta-lhe: - o mundo inteiro ou o armário tem espaço suficiente para sonhar. Depois, há a esperança. Um dia, talvez acordemos para uma realidade sem absurdos, para uma história sem névoas, para uma certeza tão intensa que nos há-de varar a inteligência como uma lança, e deixar nela uma cavidade seca. Um dia, diremos: «Como é simples!».
(...)
Agustina Bessa-Luís, «Espaço para Sonhar», Contos Impopulares

16.11.06

Uma Prosa Por Dia: XVI

(...)
.... Queria que o filho fosse praticar a cirurgia no Hospital de S. Marcos com cirurgiões antigos, experientes, que conheciam as ervas medicinais. Depois, tencionava dar-lhe as suas receitas e ensiná-lo a distinguir as várias almorreimas, a natureza das impigens, os cursos diversos, a bicha solitária, as obstruções das mulheres, as quebraduras, as hérnias, estilicídios, dores de rins, acrimónias, e o mais que tinha escrito no livro que era uma mina, que não o dava por um conto e quinhentos, gabava-se.
(...) Ele, quando bateu no cirurgião adúltero, vingava a honra de marido e da sua ciência medicinal, ultrajada pela galhofa do doutor. Ele tinha uma grande celebridade adquirida na cura das almorreimas, de lombrigas, curava fígados no lado esquerdo, e cursos de toda a casta, diversas comichões, em alporcas era infalível, e tinha receitas para moléstias secretas que nunca falharam. Herdara o receituário do seu avô, que praticara na botica dos frades de Santo Tirso, onde se faziam descobertas terapêuticas miúdas e milagrosas na cura daquelas últimas moléstias. Tinha um códice manuscrito, brochado em pergaminho muito besuntado do surro de três gerações de boticários instruídos.
.... Curava asma com pós de baratas fritas e torradas; e para escrófulas mandava cozer uma lagartixa viva, e pendurá-la num saquinho ao pescoço do doente; e assim que a lagarta pulverizava de seca, as alporcas fechavam-se. Não havia hemorróidas que resistissem às folhas de S. Caetano e de corona-christi, umas folhas que o cirurgião, cheio das ignorâncias da botânica moderna, desconhecia e desacreditava, dando gargalhadas imbecis, e dizendo à Rosa Canelas que o marido era um lorpa impagável. Mas na cura das obstruções, isso era uma malho: curava-as com pós da ponta de corno de boi e do queixo esquerdo de certo quadrúpede; e daí veio dizer o clínico, espancado por mais de um motivo justo, que o boticário não precisava de comprar as drogas com que desobstruía as suas clientes.
(...)
Camilo Castelo Branco, Eusébio Macário